O Linux não chegará ao Desktop

Depois da infeliz entrevista do Amadeu e do Neves no Jô Soares, cheguei a conclusão definitiva, não sabemos oferecer o Linux.
Não vi a entrevista, mas pude ouvir a mesma em um arquivo de áudio disponibilizado na internet.
Antes de conseguir uma fatia maior de mercado, resolvendo assim, o Bug #1 do Ubuntu, temos que mudar nossa forma de apresentar o produto.
O usuário comum está pouco se lixando se ele vai poder mudar o sistema operacional, não está nem ai para a liberdade de uso e distribuição, pouco se importa em poder escolher entre 512 navegadores diferentes.
O usuário comum quer, simplesmente, mandar e-mails, anotar suas receitas, roubar baixar músicas, baixar pornografia e outras coisas do gênero.
Esse discurso de que o império do mal vai dominar o mundo, não preocupa 99% dos usuários.
Temos que mudar a forma como vendemos nosso peixe, se quisermos ter participação importante no mercado.
Um dos maiores sucessos no Software Livre é o Mozilla Firefox, alguém já viu propagandas sobre o mesmo dizendo que você pode mudá-lo a vontade?
A maioria de seus usuários, sequer sabe disso.
O que foi usado para "vendê-lo"?
Foi dito: que ele é mais rápido, é mais seguro, mais intuitivo, tem um monte de trequinhos que você pode adicionar a ele facilitando sua vida.
Em momento algum, falou-se em desenvolvimento colaborativo, 1024 versões diferentes, código fonte disponÃvel ou qualquer outra coisa que é interessante, para nós, Geeks.
Ainda há esperança, mas algumas coisas têm que mudar, na maneira como apresentamos o produto.
O que faria o Linux chegar ao Desktop?
Mostrar as facilidades do Linux, simplificar a vida do usuário leigo, demonstrar as qualidades como segurança, velocidade, custo etc...
Seria interessante que conseguÃssemos que algum fabricante de grande porte oferecesse o Linux OEM, pois a maioria dos usuários não troca seu sistema operacional, simplesmente usa o que vem no computador.
Diminuir as opções para o usuário leigo (deixando-as para os usuários avançados), isso é uma coisa que o Ubuntu vem fazendo e obtendo grande sucesso.
Apresente uma boa documentação, como sugere o Og, usuários leigos mal sabem usar o Google, então o STFG, simplesmente não funciona.
Ajude os usuários novatos, assim como sugere o Alan Popey, por exemplo.
Não entre em detalhes técnicos, em geral, isso só serve para gerar mais confusão.
Minha estratégia
![]()
Quando quero falar para alguém sobre o Linux, quando tenho oportunidade, a primeira coisa que faço é mostrar meu desktop, que é uma espécie de showcase, com direito a XGL, compiz etc...
Mas, claro, não digo essa sopa de letrinhas para não enlouquecer a pessoa e criar antipatia, antes mesmo de ver.
Depois vou descrevendo as facilidades que tenho, como poder travar uma tela no topo das outras (recurso muito bom para ver vÃdeos, enquanto trabalha), mostro que posso assistir TV a cabo na minha máquina, mostro como as páginas abrem rápido na internet etc...
No final falo:
É de graça, quer experimentar? Toma o CD, não precisa nem instalar, só inicializar o computador com este CD no driver e usar um pouco para ver se gosta.
A primeira pergunta que todos fazem é:
E se eu não souber usar.
Resposta simples para iniciante:
Me liga ou acessa o guia, toma o endereço.
Claro que a estratégia pode mudar um pouco dependendo do público, uma vez quis mostrar o Linux para um analista de suporte em uma empresa.
Como ele já tinha tido péssimas experiências com o Linux, já foi logo falando que era ruim e muito difÃcil de usar.
Fiz uma aposta com ele, que eu conseguiria entrar na rede do trabalho dele simplesmente fazendo um boot pelo CD, que mais fácil que isso nem com o Windows.
Claro ele duvidou.
Como sempre ando com 2 ou 3 CDs do Ubuntu, peguei um e coloquei no computador dele, reiniciei a máquina e em poucos minutos estava acessando a rede da empresa com tudo configurado e pronto para usar, sem fazer absolutamente nada, além de colocar o usuário e senha dele, ao tentar acessar a rede.
A expressão utilizada por ele, me deu certeza que estava nascendo mais um usuário Linux:
P... Q.. P...., como você fez isso?
Deixei aquele CD com ele e de vez em quando, ele me liga para perguntar algumas doideiras (claro, um analista de suporte gosta de futucar muito mais que um usuário comum).
Como podem ver em nenhum dos casos menciono as coisas que são vantagens para nós, mas sim o que é vantagem para quem vai usar.
Depois, se essa pessoa quiser, vai aprender o resto.
Compare Preços de: Linux, Windows, Ubuntu, Desktop, Livro, Guia, CD
[tags]Ubuntu,Desktop,Livro,Guia,CD,Usuário[/tags]
[bbl]Ubuntu,Desktop,Livro,Guia,CD,Usuário[/bbl]
Artigos relacionados
- Linux se benificiará da Web 2.0
- Reblog: Instalando o Engage no Ubuntu Dapper | BR-Linux.org
- links for 2006-07-01
- desktop
- links for 2006-08-12













Pelos vistos, o programa do Jô com a entrevista sobre software livre foi um tiro no pé. Deviam ir preparados para a entrevista! Gostei de como voce angaria novos utilizadores para o Império do Bem
Um abraço
Sim, foi uma lástima, ainda bem que não vi e que o horário é bem tarde, o que pode diminuir um pouco a repercursão.
Quanto a "técnica", não adianta tentar explicar coisas que as pessoas não vão entender, a maioria esmagadora dos usuários do Windows, mal sabe que existem opções, são usuários do computador que compraram, que por acaso, veio com o Windows.
Mostrando o que o Linux faz, disperta, pelo menos, curiosidade.
Falar para alguém trocar alguma coisa que está acostumada a usar, só porque achamos melhor, não vale para esta pessoa.
Se eu demosntrar que a pessao terá ganhos, ela pode querer mudar.
Se não quiser, paciência, fiz minha parte.
Abraço
Primeiro de tudo: Estão super-estimando o progrma do Jô.
Se a entrevista fosse melhor ou pior isso não mudaria muito... a maior parte dos usuários que "descobririam software livre" com esta entrevista estava dormindo
O Sergio Amadeu não foi muito feliz nas suas inserçoes...mas é preciso entender que eles estavam preparados para usar o seu esquema (usar o notebook ao vivo) e em cima da hora a produção mudou os planos (veja mais no br-linux!)
Esse papo de que vender o softwre-livre como uma caixa preta que é fácil de usar não prosperaria (IMHO)... embora concorde que se deva evitar o geeknes logo nos primeiros contatos!
É isso!
[]'s
Sérgio, foi o que eu disse, pelo horário o estrago foi menor, foi só um exemplo para mostrar que não estamos preparados para "vender" o SL.
Tenho minhas dúvidas se um representante da Borland se enrolaria em situação parecida.
Por favor, entenda, não estou falando mal de nenhum dos 3, só digo que não estamos preparados/acostumados a falar de SL, para pessoas diferentes de nossos meios.
Quanto a "vender" como uma caixa preta, só apresento uma opção que é melhor do que usar um sftware ilegal ou que será caro demais para manter legal na próxima versão.
Quando comprei minha cópia do XP, ninguém me falou que a mesma era escrita em C++, ou que era código proprietário ou qual método de desnvolvimento é utilizado pela Microsoft.
Veja o que tinha escrito na página de onde comprei.
As únicas informações técnicas presentes são os requisitos mÃnimos para rodar o mesmo.
Abraço
Oi Bruno!
Mas eu concordo que deve-se mostrar o lado prático do software-livre (tua idéia do compiz-xgl é ótima), só acho que não há mal em destacar, também, ainda que de modo secundário aos aspectos filosóficos e etc...
Eu sei que esta é a grande divergência do pessoal do Open source (privilegia os aspectos práticos e técnicos) e do pessoal do Software Livre (que enfatiza os aspectos filosóficos!)
A questão é que o modelo de open-source/softare-livre funciona melhor quando os usuários (ainda que leigos) entendem a sua filosofia...
Só discordo deste detalhe
Não é para colocar na bula com letras miÃudas este detalhe
[]'s
Alguns, depois de começar a utilizar o SL, acabam procurando a filosofia.
Este foi meu caso, por exemplo, comecei a usar o Linux em 1996, quando recebi uma cópia em um livro sobre banco de dados.
Um mundo novo (e completamente diferente do que é hoje), muito mais interessante e desafiador que o pobre Windows.
Acho que, só em 2000, comecei a me interessar pela filosofia, mas hoje ajudo de todas as maneiras que posso.
Já havia escrito que minha opção por SL é técnica e não filosófica.
Não acho que todos precisam ser padres para ir a missa, o importante é ir ;).
Abraço
"Eyecandy" é uma ótima forma de impressionar usuários do windows. Mostre pra algum(a) o cubinho girando, depois explica que é de graça sem ser pirata. Pra matar, explique que você acessa qualquer site com a consciência limpa e sem anti-vÃrus, anti-spyware ou qquer outro anti-alguma-coisa. Minha abordagem é essa, já convenci alguns
Sim, este "método" tem se mostrado bastante convincente
Abraço
Só para adicionar.
Mostrar o Compiz ou o Beryl pode ser uma boa, mas deve se ter cautela, como por exemplo se o "expectador" for mexer no pc.
Por exemplo, as teclas de aderencia do beryl são incriveis em termos de usabilidade, + pode confundir quem pega o sistema assim "de primeira".
Devido a isso e a um problema de lag enquanto um amigo meu usava o amsn, pediu para que eu tirasse os efeitos.
Acho legal mostrar SEM os efeitos e dps com os efeitos, pelo menos enquanto os projetos não estão estáveis o suficiente.
PS: Mto embora esse meu amigo gostou mto do zoom
T+
Não uso os efeitos, apesar de bonitos, diminuem a produtividade.
Mostro o desktop da maneira que eu uso, já é bastante convincente
Abraço
Falta um pouco de conscientização dos divulgadores de software livre em poder falar a linguagem dos usuários comuns.
A dificuldade de se expressar de forma simples e clara é até compreensÃvel, pois esses divulgadores são pessoas extremamente técnicas e vivem num contexto onde isso é normal.
Já a Microsoft é campeã em estratégia de marketing. Sabem atingir as massas menos esclarecidas sobre informática. Um último exemplo, são a caixinhas do Vista, que são bem diferentes e bonitas.
O Linux já facilitou muito em relação ao que era anos atrás, mas ainda falta esse senso de marketing mais apurado. Só assim conseguirá atingir uma gama maior de usuários.
A Microsoft é excelente em marketing, conseguir transformar um produto bom em padrão de mercado, já é uma tarefa difÃcil, imagine um não tão bom.
Precisamos de alguma forma de divulgação melhor, hoje, mesmo, uma pessoa me perguntou o que era o Linux.
Quando expliquei, tentando usar uma linguagem que a pessoa entenderia, ele me perguntou porque todo mundo não usa.
Acho que a primeira pergunta dele, responde bem a segunda.
Abraço