Análise: Boo-box

março 7, 2007 · Filed Under ProBlogger 

Boo-box é uma nova (nem tão nova, assim) alternativa para monetização de sites e blogs (foco maior em blogs, segundo o autor).

Quando conheci o Boo-box, tive algumas ressalvas quanto ao modelo, por isso preferi não me pronunciar na época.

Como estou sempre torcendo para iniciativas nacionais inovadoras, resolvi testar a ferramenta, antes de dar qualquer veredito.

Passei, mais ou menos um mês testando em dois blogs com tráfego razoável já que precisava de massa de dados para poder analisar.

Receios:

  • Mudança de comportamento: O Boo-box lança um conceito novo, que muda a maneira como as pessoas estão habituadas a navegar, para nós que estamos ligados a tecnologia, é fácil se adaptar, mas para a imensa maioria, não.
  • Quebra do fluxo de leitura: O Boo-box exibe uma "caixa" na frente do texto o que interrompe a leitura.
  • Pouca customização: É um padrão único, não podemos deixar com a cara e a identidade do blog.
  • Falta de definição de um plano de negócio: Todo mundo critica esta preocupação, mas ela é extremamente pertinente, pois o projeto precisa ganhar dinheiro para se sustentar, hoje, a Boo-box funciona em parceria com a Vilago, mas imagine se o Boig Boing resolve adotar o Boo-box, os servidores da Vilago vão para o vinagre...
  • Performance: Nada desesperador, depois que é cacheado, mas mais lento que o ideal.

Os receios, já seriam suficientes para que eu nem testasse a ferramenta, mas optei por ir em frente para ver quais desses se comprovariam ou não.

Fatos:

  • Mudança de comportamento: Verdade, existe uma mudança de comportamento, mas para falar a verdade foi mais positiva do que eu imaginava, a taxa de cliques superou minhas expectativas iniciais, acredito que pelo curiosidade.
    Mantive, neste blog um banner padrão do Mercado Livre, perto do rodapé da página, ´para poder comparar e a taxa de conversão deste banner foi muito maior que a do Boo-box.
  • Quebra do fluxo de leitura: Verdade, o tempo de permanência nas páginas que possuem o Boo-box diminuiu, as pessoas clicam e saem do site. E com um impacto bem maior que as propagandas tradicionais, já que o visitante pode abrir em outra janela, deixar para abrir no final etc...
  • Pouca customização: Verdade, aqui seria interessante poder mudar algumas coisas.
  • Falta de definição de um plano de negócio: Não sei, apesar de não existir nenhum plano de negócios aparente, pode ser que o Marco tenha algo em mente, durante o uso, eu mesmo tive várias idéias, que compartilharei mais a frente no artigo.
  • Performance: Mais ou menos, as primeiras vezes que carrega são um sofrimento, depois melhora um pouco.

Com base na confirmação dos receios e nas estatísticas que pude ver durante este período de testes, elenquei as vantagens, desvantagens e algumas sugestões para a ferramenta.

Vantagens:

  • Taxa de cliques interessante.
  • Publicidade semi-oculta (sobra mais espaço para outras formas de publicidade).
  • A ferramenta é muito interessante e tem grande potencial.
  • A necessidade de manutenção é média (se você mexer um pouco no Wordpress para facilitar as coisas).

Desvantagens:

  • Taxa de conversão pequena (mais culpa do parceiro selecionado do que da ferramenta).
  • Desempenho.
  • Diminuição no tempo de permanência no blog.
  • Pouca customização.

Sugestões:

  • Procurar outros parceiros, principalmente que paguem por cliques ao invés de comissões.
  • Criar possibilidade de customização.
  • Melhorar o cache.
  • Divulgar melhor os planos (isso traz confiança).

Aprofundando as sugestões:

Na questão do parceiro, uma opção que me vem a cabeça é o Buscapé, acho que uma boa negociação com eles, ou mesmo a criação de uma API para eles (o que não seria complicado, já que a estrutura é simples), traria um impulso imenso ao Boo-Box.

Customização é uma questão fundamental, pelo menos poder mudar as cores do resultado.

A melhoria de desempenho seria muito interessante e acredito que melhoraria, ainda mais a taxa de cliques.

Um cache das principais queries ou mesmo do XML todo do Mercado Livre diminuiriam o tempo de abertura.

Já na divulgação a planos, ajudaria a angariar blogs de maior peso, que podem ajudar o Boo-box em uma mesa de negociação.

Tive algumas idéias para monetizar os desenvolvedores:

  • Percentual dos anúncios: uma parte dos anúncios seria exibido com o ID de afiliado do próprio Boo-box.
  • Acordo com as lojas: Acho muito difícil, por incrível que pareça as lojas on-line têm ensamentos jurássicos e dificilmente entrariam com qualquer percentual, a não ser que um grande portal adotasse a ferramenta.
  • Venda do Boo-box: Apesar deste ser o moto das startups da Web2.0, é um modelo muito arriscado, que pode acabar em problemas, antes de dar resultados.
  • Licenciamento da ferramenta: Este é o modelo que mais me agrada, venda ou alugue a ferramenta para que os blogueiros possam rodar a partir de seus próprios servidores. O ganho de performance seria brutal (principalmente se fizermos um cache do XML) e justificaria o investimento, além de permitir que criemos nossas próprias APIs.

Conclusão:

Minha conclusão é que é uma ferramenta fantástica, mas ainda precisa melhorar em vários pontos para se tornar comercialmente viável.

Retirei a ferramenta deste blog, neste momento, mas vou deixar no Diversos, para continuar testando e para aumentar as estatísticas do Boo-box para quando for usá-las em negociações.

[bbl]Blog,Dinheiro,Monetização,Lucro,Cliques,Boo-Box[/bbl]

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Comments

16 Comentários

  • At 2007.03.07 16:59, celsojunior said:

    Nada melhor que ler uma análise bem feita e com todos os pontos positivos e negativos agregados sobre o Boo-Box. Nos últimos tempos só andei lendo análises mal feitas (porcas) e com poucos pontos significativos, ou seja, sem uma base propriamente dita.

    Abraço e parabéns pela análise!!!

    • [...] O BrPoint publicou um artigo que revela algumas vantagens e desvantagens do uso da Boo-box. Em resumo, coincidentemente após [...]

      • At 2007.03.07 18:21, Daniel Costa said:

        Análise completa assim, inclusive com sugestões, só poderia ser feita por quem instalou a Boo-box.

        Críticas como a minha e a do Rafael Cardoso Jr., são visões de quem se arrisca a fazer uma análise funcional superficial.

        Mas este artigo é a prova de que eu não estava errado.

        • At 2007.03.07 19:43, Neto Cury said:

          já desanimei e desativei lá em casa...
          Abração

          • At 2007.03.07 20:36, Rafael Cardoso Jr. said:

            Eu prefiro ler uma análise...Dele ninguém reclama do erro de português.

            • At 2007.03.07 20:39, Marco Gomes said:

              Invejável! Muito obrigado pelo review, excelente.

              Quanto ao plano de negócios, bem, temos em nosso blog em inglês o post: http://en.boo-box.com/blog/show-me-the-money/ este post explica algumas coisas que todo mundo quer saber.

              Nós nunca tivemos dúvida que o boo-box tem algumas falhas que ainda precisam ser resolvidas. O fato de você enumerá-las tão bem nos dá ainda mais afinco para continuar trabalhando.

              O parceiro brasileiro é um dos nossos maiores problemas, estamos tentando resolver isso em breve. Quanto s cores, vamos colocar isso em pauta pras próximas atualizações.

              Mais uma vez, a equipe boo-box agradece pelo ótimo review, é como colírio depois do que fomos obrigados ler nas últimas semanas ;)

              • At 2007.03.07 20:42, Marco Gomes said:

                E quanto monetização, deixa com a gente, temos algumas maneiras de ganhar grana que não são tão óbvias.

                Além disso, o boo-box não gasta nada, é um script de 30 KB e nem banco de dados tem! Super barato e simples. Pode confiar.

                • At 2007.03.07 20:43, Sergio Blog 2.3 said:

                  Uma análise (de gente grande) do Boo-Box...

                  Há época do lançamento do Boo-box eu estranhei que os principais blogueiros profissionais ficassem calados sobre o lançamento! O Boo-box foi destaque em vários sítios de tecnologia gringos, foram destaque em vários blogues e, supreendentemente p...

                  • At 2007.03.07 20:44, Marco Gomes said:

                    Quanto ao nada escrito no comment anterior, leiam "quase nada", hehehe.

                    • At 2007.03.07 20:50, Marco Gomes said:

                      Só uma ressalva: Você tem banner do ML em todas as páginas, o boo-box não necessariamente. Talvez venha daí a diferença na taxa de cliques.

                      Tem também a necessidade da taxa de conversão, o objetivo não é "fazer clicar" é "fazer comprar"! Se os cliques forem poucos mas as compras forem muitas, então o objetivo foi atingido.

                      • At 2007.03.07 21:23, Bruno Alves said:

                        Celso, obrigado.

                        Daniel, minha análise não teve o intuito de dizer que as demais estavam erradas, cada um tem seu ponto de vista e costumo respeitar isso.

                        A ferramenta tem um grande potencial e não me sentiria bem em falar, sem testá-la primeiro.

                        Neto, tive algumas conversões, nada demais, mas não foi tão ruim quanto eu imaginava que seria, continuo testando no outro blog e depois da implementação de algumas das sugestões (se forem feitas), colocarei aqui novamente.

                        Rafael, coloquei sem acento para que o WP gerasse o post slug correto, ao invés de comer o "á", mas esta certo, deveria ter corrigido antes de publicar, obrigado pelo aviso.

                        Abraços

                        • At 2007.03.07 21:58, Bruno Alves said:

                          Marco, obrigado.

                          Seus comentários estavam no servidor antigo, tive que recuperá-los.

                          Quanto a monetização do projeto, acho importante, até para agüentar um crescimento mais rápido, caso ocorra.

                          Mesmo o script sendo leve, cada vez que ele é chamado usa uma conexão do servidor HTTP e os servidores têm um limite para o número de conexões simultâneas.

                          Se reparar praticamente todos os meus artigos possuem um imagem, e o banner do buscapé só aparece no artigo individual, portanto a exibição era até maior para o Boo-box (que aparecia na home, também).

                          A taxa de cliques do Boo-box é maior que a do banner, a de conversão é que é menor, por isso sugeri a utilização de um programa pay per click.

                          Implementar o Boo-box para o Buscapé seria muito simples, bastaria uma base de dados para guardar imagens referentes a palavras chaves, não precisaria nem mesmo de uma API por parte deles.

                          Abraço

                          • At 2007.03.08 11:11, Guilherme Nascimento Valadares said:

                            Marco, vocês pretendem integrar o Boo-Box com o trio Submarino/Americanas/Shoptime ?

                            Porque não fazem uma parceria com eles. Por exemplo, criar a Boo-Box Submarino, que teria a identidade visual do Submarino. Dessa forma, talvez eles se interessem em financiar uma operação pay-per-click, já que seria mais publicidade para os produtos deles.

                            Acho que o Boo-Box tem futuro, é uma questão de ajustar o formato da operação.

                            Abraço,

                            Guilherme
                            http://www.papodehomem.com.br

                            • At 2007.06.26 10:42, Sucesso Financeiro said:

                              Analise completa, me poupou um trabalho de analisar por conta própria este serviço. Obrigado!

                              • At 2007.06.30 03:03, Um breve panorama da Web 2.0 brasileira said:

                                [...] tão singulares e inovadoras que fosse expressão frente aos lançamentos internacionais, como o boo-box que se desenvolveu sob a ótica do novo. Afora isso, a comunidade 2.0 brasileira não deixa a [...]

                                • [...] diferentes, mas ambos trabalham com imagens. Procurei avaliar alguns aspéctos que foram motivos de análise pelo proBlogger Bruno Alves ao testar o boo-box. Não tirei sérias conclusões, mas tive a impressão de que a publicidade do [...]

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